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03/11/2008 21:41
Novo endereço
Uma vez que venho tendo muitos problemas com desaparecimento de posts e comentários desde meu antigo blig (http://quasepoemas.blig.ig.com.br), uma vez que nada têm sido feito todos esses anos de reclamações e pedidos que tenho feito à administração do site, uma vez que tudo está começando a se repetir neste segundo endereço.....
Estou mudando para o seguinte site : http://quasepoemas.net84.net que é um domínio que se preocupa e respeita o usuário, ao contrário disto aqui.
Obrigado a todos, e me visitem lá ;)
enviada por Clodoilson
01/07/2007 18:23
Da Minha Boca para os teus Olhos
Às vezes ficas ao meu lado, me olhando assim como se eu
Falasse de coisas do outro mundo, é quando sinto que estou falando
Sozinho porque não estais entendendo bem o que quero dizer,
Mas mesmo assim continuo falando porque na verdade não
Queria dizer tudo isso para mais ninguém, só para ti, só para
teus olhos arregalados e úmidos e brilhantes e sei lá o quê.
Não me entendes, mas só eu entendo como é bonitinho te ver
Fingindo apenas para me agradar e, outras vezes, quando abres ainda
Mais os olhos, sinto que nestes instantes algo foi realmente entendido,
E isto se confirma com teu disfarçado sorriso de quem sabe todas as
Coisas.
Acho tocante essa oferenda que me fazes, é uma pequena tigela com
Um pouco de tempo dentro, algumas flores bonitas, bonitas
Ainda que caladas, tem também aquele perfume suave sobre o qual
Gosto de me pegar pensando se é delas ou teu; que bonita oferta
Traz-me com tanta devoção, como poderia eu não aceitar?
Mas tudo tem que ser feito do teu modo, ou seja, em sagrado silêncio.
Depois de tantos encontros e de tanto falar eu descobri porque gosto
Dessas ocasiões, essas nossas ocasiões, é que o teu silêncio em
Particular é muito mais eloqüente que minhas palavras e tudo o
Que eu digo e, agora sou eu que abro os meus olhos e fico te
Observando.
Espero que voltes amanhã com tua tigela, as flores e o traje de silêncio.
Clodoilson Ferreira Lemos
01 de julho de 2007.
enviada por Clodoilson
01/07/2007 18:00
Gritos agonizantes de um coração sangrando
A dor profunda vem invadindo a carne imitando uma bárbara adaga fria, enfiada por um cão danado entre minhas costelas e a bacia; grito meu grito abafado que ecoa como que de uma caverna sombria lotada de condenados, dói o peito, rasga-se a alma e o corpo fica em agonia.
Pobre daquele cujo coração não experimentou o amor, bálsamo divino que confere alegria e esperança; sem amor o espírito cansa e fica em noite mesmo que seja dia.
Na escuridão profunda de todo tormento e em constantes descontentamentos segue a vida desprovida de propósito, e toda luz é escuridão, rasteja o homem como se verme fosse por toda a terra, carne decomposta e matéria podre na infinidade de sua agonia e no desespero de sua solidão.
Se é dia de sol, que se tente roubar de seus raios um pouco da alegria; se vem a brisa, que leve consigo um pouco de toda dor; que com a noite caia também tempestuosa ventania e que nas torrentes gotas enfurecidas, a noite chore comigo o meu choro e grite comigo o meu grito insano com tenebrosa força e pavoroso ardor.
Se nesta vida não há para um homem um amor, que os demônios levem também a esperança, rasguem-na com suas garras negras, para que ela, em sua doce natureza, não maltrate ainda mais os corações errantes que batem em peitos já delirantes que se debatem em plena luz do dia.
Por fim, quando aquela que me persegue, a morte certa, chegar a me encontrar; quando me der seu abraço triste e com seu hálito imundo sussurrar este poema ao meu ouvido surdo; meu espírito já estará morto, porque a vida lhe negou a vida, porque não teve a quem chamasse querida e agonizou aos poucos em muitos anos.
Agora morto, deitado em fria catacumba, talvez seja este o meu próprio inferno, o final da dor; onde talvez as larvas e os vermes podres me façam juras de amor e eu já em minha demência morta, acredite que seja eterno.
PS: Com este texto fui acusado de ter copiado Augusto, óbvio que foi um dos melhores elogios que já me fizeram. :)
enviada por Clodoilson
01/07/2007 17:57
Vontade de gritar
Minha garganta ou minha mente, tanto faz,
se é minha garganta um falso alívio se instala,se é apenas
minha mente fica a real e constante insatisfação.
Não guardo mágoa, a questão é que o que vejo ao redor me
Magoa incessantemente, tento ignorar, me comportar como uma pedra,
mas as pedras não sentem, não vêem nem se incomodam.
Quando tento mudar tudo é porque sou louco, santo ou uma praga,
Ainda não decidiram; se fico inerte é porque sou hipócrita; fica apenas
A sensação imunda de que estou impotente, fazendo reclamações aos
Surdos e mendigando duas ou três palavras de desabafo com este poema fajuto sem rima nem métrica, cheio de idéias vagas confusas como as idéias confusas e vagas que permeiam as mentes de todos os tolos que passam por mim e envelhecem com as pedras que criam limo ao redor de si mesmas.
Que atire a primeira pedra aquele que não for uma.
enviada por Clodoilson
01/07/2007 17:46
Penso em ti
Penso em ti meu bem, todas as vezes que olho para o céu escuro, todas as vezes ouço o mar revolto quando é noite e sinto que está me desafiando e seduzindo com imprevisíveis sensações; penso em te meu bem, todas as vezes que troveja em dias de tempestade e o brilho dos raios me convencem que vale a pena arriscar a vida e dançar na chuva, e eu até posso morrer a qualquer momento.
Penso em ti meu bem, quando vejo uma felina majestosa espreitando a presa com um ar de nobreza letal e sangue no olhar. Em toda tua força e vigor eu te adorei, em cada passo calculado eu te amei, em dias de caçada fui teu escudo e tua lança, em dias de festa fui teu sorriso e teus passos de dança. Assim ying amou yang e, por um tempo fomos completos e cheios de plenitude. Os dias tinham estrelas e a noite era ensolarada, a cama era o lugar de brincar e a vida era o local do amor.
Penso em ti meu bem, quando lembro que as coisas perfeitas se eternizam nos corações dos fortes mesmo depois que viram passado e tempo as engole sem qualquer pudor. Lembras também, eu sei, guardas também, eu sei, cada momento e o aroma suave das lembranças.
Força bruta da natureza, onde está agora a tua força e imponência? Cadê teus relâmpagos de arrogância? Tuas garras infalíveis não arranham mais, o fogo dos teus olhos estão trêmulos como que de uma vela ao vento; ó minha deusa, teus braceletes de poder estão enferrujando e nada podes fazer.
Agora que conheces a fraqueza dos mortais podes voltar, estou aqui sentado no sempre, calmo, observando teus atos, ainda podes pedir socorro e eu correrei em auxílio, mas tens que pedir, minha misericórdia pode ainda banhar a tua nudez fria, a chama ainda pode arder; mas desta vez não me moverei, se não vieres morrerás sozinha. E eu sei que não vens, preferes ser a lembrança de uma deusa imponente que uma mortal viva, que seja!
Lembro de ti quando já não lembro de mais nada e, quando lembro, acontece de às vezes eu até lembrar de mim.
enviada por Clodoilson
01/07/2007 17:44
Imagem e Semelhança
Muitas vezes me perguntei a que te referias quando disseste que somos semelhantes a Ti; quis saber se pode um homem ser Deus. Imaginei-me muitas vezes criando mundos, formando sóis e luas e dando vida aos mares, meu coração se encheu de alegria, mas eu sabia que ainda não era isto.
Teu poder em mãos de homens geraria o caos completo, o orgulho adormecido em nossos corações nos tornaria uma ameaça a toda a eternidade. Posso perceber isto porque com pouco poder já fazemos muitos estragos e causamos muita dor a nós mesmos e ao planeta como um todo. Criaríamos civilizações imensas e lindas somente para sermos adorados, cometendo assim o mesmo erro do anjo mais belo que o céu já viu, tua obra-prima, Lúcifer.
Tomei consciência de que ser Deus não é fácil, ver sua criação e seus filhos duvidarem de sua existência, inundar um cosmo com lágrimas derramadas por
causa da nossa selvageria, nosso desafeto por nós mesmos, pois, mesmo sendo Onipotente, isto deve doer; como pode o homem causar sofrimento ao ser mais puro que existe? Perdoa-nos. É que em nossa busca por expressarmos semelhança contigo só observamos parte do que És, observamos somente o Teu poder e a Tua vontade de Justiça, como se isto não nos corrompesse, como se fôssemos capazes e maduros o suficiente para lidarmos com tudo isto.
Mas descobri algo realmente de valor quando pensava em um texto que não li no Evangelho, mas na primeira epístola de João, no capítulo quarto, a partir do sétimo versículo. Por um instante pude perceber que ainda que eu pudesse nadar no plasma do sol, criar mundos sem fim e ser onipotente, ainda que eu me tornasse pura justiça e que em meu coração não houvesse orgulho ou vaidade, ainda assim eu não seria como Tu; porque És superior ao teu próprio dom da Justiça, És Ternura e Amor.
Agora percebo que sou semelhante a Ti em algo tão poderoso que só pode ser sentido para ser compreendido, me assemelho a ti cada vez que expresso Amor. Por isso eu gostaria de te dedicar este pequeno poema, Pai, e se é verdade que o que vale é a intenção, quero com ele dizer que também Te amo.
enviada por Clodoilson
01/07/2007 17:43
Fóton nas veias
Da tenebrosidade obscura e úmida e fria e terrivelmente silenciosa formou-se um espanto no cubo escuro do meu espírito, sim, o que era inerte contemplou algo inédito, uma pequena chama ousou se pronunciar, profanando o caos ordenado.
Em escuridões como estas um foco puntiforme faz as vezes de um sol; mas era apenas uma vela; me aproximei atônito, meus olhos buscaram a luz como um sedento a beira da morte a um pouco dágua.
Lá estava ela, a chama dançante, pequeno espírito do fogo, fada ígnea que num bailado frenético cantava louvores ao Deus Altíssimo, dava para ver a luz que corria por suas veias luminosas.
E algo me iluminou como nunca até aquele instante, não foram suas veias, não foi a novidade; o que iluminou e estremeceu minha alma foi a felicidade, a pureza e a serenidade de seu sorriso.
enviada por Clodoilson
01/07/2007 17:43
Descriativo
Não é fácil desfazer o que já está mal acabado, criar o incriado parece mais difícil que tudo, como desfazer o casamento entre este e o nada do qual nossa noção de existência é filha, cargas genéticas divididas, inclinações por livre arbítrio, abstrações por natureza?
Noção vaga do que é vazio, pensamento cheio do que não conheço, só a busca pela quietude e a inconstância são constantes; é chegada a hora de compreender que há muito a desaprender, formatar a alma, ter a suprema coragem de escolher o ser ao invés de ter a existência como um presente do acaso, e mais, torná-la suprema também, transformá-la em alegria eterna e orgulho da criação, como se saltássemos do nada que somos para a Unidade com o Único, o Ser existente.
Assim há um ato de amor, Deus compartilha tudo conosco e, nós, partilhamos o nada com Ele, e o casamento é refeito em ciclos que não têm fim, de eternidade em eternidade, escondidas por entre os instantes da alma.
Mas como percebi isto? É possível que o nada tenha o dom da autopercepção? Ou será que eu existo? Existir é o pré-requisito? Mas para quê exatamente? E o não-ser será uma força potencial a partir da qual tudo pode ser? Ou é a nulidade absoluta de todas as possibilidades? Será que o Absoluto absorve em si mesmo o vazio total? Terão fim minhas perguntas?
Sim, já não há perguntas, só a sensação de que existo um pouco, e um pouco a cada dia, e de que inexiste um pouco de mim a cada instante; então, que eu não seja, que ser seja dom apenas do Ser; então, para que eu exista de fato, que seja ao menos sua semelhança, que me funda a Ele e sinta o que é ser de verdade; além do criado e do incriado, além das perguntas e das respostas; um vetor crescente apontando para o infinito tendo como origem o próprio destino.
enviada por Clodoilson
01/07/2007 17:42
Canção do exílio
Minha terra tem lixeiras,
Onde catam os cheira-colas;
Os mendigos que por aqui vagueiam,
Pelejam para roubar.
Nosso céu se torna cinza,
Nossas várzeas, maus odores,
Nossos bosques são vendidos,
Nossa vida sem penhores.
Se andar, sozinho à noite,
Assaltantes vou encontrar,
Minha terra tem urubus,
Que se fartam sem parar.
Minha terra tem horrores,
Que não gosto de contar;
Somente as damas da noite,
Prazer encontram por cá,
Minha terra tem urubus,
Que se fartam sem parar.
Não permita Deus que eu morra,
Sem que veja isso mudar;
Sem que veja estes horrores,
Daqui a se dissiparem;
Sem quespante os urubus,
Que se fartam sem parar.
enviada por Clodoilson
01/07/2007 17:41
A substância negra nos átrios
Venho a ti, ó tenebrosa criatura chamada mentira,
venho dizer-te que te repudio,
a obra que te tem por alicerce logo vem à ruína,
tua vida é curta, sois senhora da ilusão humana.
Quero dizer-te, não mais me iludirás,
odeio a ti, não quem tu corrompes,
é assim que me vingarei,
assim se manifestará a verdade em meu coração.
enviada por Clodoilson
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